Essa coisa da Flexisegurança.
>> domingo, 25 de Outubro de 2009
Luis Campos e Cunha, que foi Ministro das Finanças entre 12 de Março e 21 de Julho de 2005, no XVII Governo Contitucional, sendo então substituído por Fernando Teixeira dos Santos, lançou um alerta sobre a deflação que poderá atingir a economia portuguesa. Tudo por causa das políticas orçamentais "laxativas", segundo o semanário Sol.
O QUE É DEFLAÇÃO (CONCISO)
À partida, deflação poderia ser um bom sinal e deixar todos os portugueses contentes e a sonhar com a sua chegada. Uma queda generalizada e prolongada dos preços... uma subida real dos salários...
Por outro lado estes (a acontecer a deflação) levariam à perda da competitividade das empresas e ao despedimento de muitos trabalhadores. Ora isso só significa mais desemprego. Até aqui tudo é claro, seguindo o raciocínio na notícia do Sol.
É POSSÍVEL?
Para Portugal poder receber de braços abertos as boas notícias de uma queda generalizada dos preços e uma subida real dos salários - ambos há muito desejados e concerteza merecidos pelos que em Portugal lutam e trabalham por uma melhor qualidade de vida e por mais poder de compra - só seria preciso estar em plena execução a cópia exacta de um sistema de "flexisegurança" à dinamarquesa. Ou seja, que o desemprego fosse em pleno colmatado pela protecção no desemprego, pela activação no desemprego, pela formação e re-integração dos trabalhadores, pelos apoios plenos à sobrevivência e educação dos menores de idade, pela assistência social aos doentes, aos menos válidos, aos idosos...
Portugal tem nos últimos tempos realizado extraordinárias mudanças no sistema da segurança social. A assistência chega mais do que nunca a mais pessoas e a todos (quase,pelo menos) pontos do país. E abrange cada vez mais vertentes, indo essas desde os cuidados continuados às creches. Não chega, é certo. E será sempre desadequada a resposta aos problemas sociais mais gritantes, é também certo. Porém, a resposta tem que se fazer valer nesse exmplo que se diz querer seguir. E esse passa pela permanente avaliação da sociedade portuguesa e das necessidades sociais portuguesas. E as respostas têm que ir surgindo atempadamente, de acordo com as análises e conclusões daí retiradas, claro. E não tanto da forma que se vê acontecer em geral em Portugal, ajustadas a momentos de decisão política como as eleições, por exemplo. Mas ainda assim, é melhor que nada, como gostam de ouvir os governantes. Eu por mim, diria - então nada! Mas a minha responsabilidade social impede-me de o fazer. É que esta moral social e humana é a que deve imperar. Acima de tudo naqueles que têm poder de decisão.
ESSA COISA DA FLEXISEGURANÇA
Porque é essa coisa da flexisegurança que deve ser levada a peito. Com respeito pelas necessidades humanas e sociais das pessoas, mais do que por qualquer exemplar sistema tecnocrático que ainda assim se pode observar e sentir, mesmo na Dinamarca. Usando o termo escolhido pelo ex-ministro, actitudes "laxativas" deixam as pessoas em situações precárias. Em que ninguém deveria ser escolhido para estar. Essa coisa da flexisegurança tem que obrigatoriamente oferecer alternativas às pessoas, alternativas essas que lhes permitam encarar os dias com oportunidade de serem felizes.
Francisco G. Santos
flexiseguranca@gmail.com

